Bem Vindo!


Se apaixonar é o que mantém nossa energia revigorada.

Dar um tempo para si e para o outro.

Rever os conceitos, recriar as relações com o planeta.

Parar para contemplar, ouvir, apreciar, degustar...

É importante (re)apaixonar-se pela vida, pela sabedoria, por nós mesmos.




Foto by Cynthia Barros

Foto by Cynthia Barros
Foto by Cynthia Barros

terça-feira, 1 de junho de 2010

Meditação

Em busca do silêncio perdido

A meditação tem sua origem na tradição antiga do yoga (pronuncia-se yôga e se usa a palavra no masculino, como em sânscrito), na Índia, há mais de 5000 anos.
Dhyana - Palavra sânscrita que significa meditação. É um dos três estágios de aquietamento mental. O primeiro é pratyahara, a abstração dos sentidos. O segundo é dharana, a concentração. O terceiro é dhyana, manter a mente imóvel. Meditar é estar com o corpo relaxado e a mente alerta. É acionar o melhor de si. É calar a mente para ouvir a alma. É integrar corpo, mente e espírito.
É uma técnica, ao mesmo tempo, de concentração e de relaxamento. Em inglês, o estado meditativo é definido como restful alertness, que pode ser traduzido como um estado de alerta relaxado – a mente fica alerta enquanto o corpo relaxa, ainda que com a coluna sempre ereta.
O objetivo primordial é a parada gradativa das ondas mentais. Em outras palavras, meditar é buscar o silêncio que existe dentro de você, mas que se perde na agitação do dia – a - dia, na confusão de pensamentos e sentimentos. Quando o corpo fica imóvel e a mente silencia, seduzimos nosso espírito e então temos acesso à nossa essência, ao nosso eu verdadeiro, ao campo da pura potencialidade.

COMO SE CONCEITUA A MEDITAÇÃO

Em nossa maneira de perceber, um procedimento, para ser caracterizado como meditação, deve conter os seguintes parâmetros operacionais:

1. Técnica específica
É preciso haver um procedimento técnico, claramente definido e regularmente praticado. Não se trata, por exemplo, de simplesmente dizer ao aluno para “sentar e começar a meditar”. O facilitador deve apresentar a técnica a ser utilizada, explicando-a claramente e instando o aprendiz a segui-la com esmero. Os efeitos e a evolução futura são bem diferentes, de pessoa a pessoa, mas a técnica inicial, como dizem alguns, é algo próximo a uma “receita de bolo”.

2. Estado alterado de consciência
Dentro do contexto da área cognitivo-comportamental, a meditação situa-se entre os métodos terapêuticos que envolvem estados alterados de consciência, ou seja, que induzem (ou buscam induzir) estados conscientes, porém distintos daquele habitualmente observado em vigília.
Alguns estudos, inclusive, comprovam que se alteram o eletroencefalograma e o mapeamento cerebral, durante os exercícios meditativos.

3. Relaxamento muscular
Durante o processo, ou em algum momento dele, instala-se um estado de relaxamento psicofísico, denominado por alguns autores americanos de “wakefull hypometabolic physiologic state” ou de “relaxation response”. Operacionalmente, podemos dizer que tal estado sempre envolverá o relaxamento muscular; aqui citado por ser o parâmetro de mais fácil aferição acadêmica, durante esse tipo de resposta corporal.

4. Relaxamento da lógica
Basicamente, o chamado “relaxamento da lógica” envolveria:
a) Não analisar (não tentar explicar) os eventuais efeitos psicofísicos;
b) Não julgar (bom; ruim; certo; errado) os eventuais efeitos psicofísicos;
c) Não criar qualquer tipo de expectativa, em relação ao processo.

5. Estado auto-induzido
Trata-se de um método terapêutico ensinado pelo facilitador, mas aplicado pelo próprio indivíduo, em si próprio. Deve ser, por exemplo, perfeitamente exeqüível de reprodução domiciliar, sem a presença do orientador. Não se alimenta qualquer relação de dependência.

6. Artifício de autofocalização (“âncora”)
Utiliza-se algum foco de concentração (“âncora positiva”) ou de “desligamento” (“âncora negativa”), com vistas a evitar o torpor, o sono, o estado de transe, etc...

7. Autopercepção não sensorial
Nos exercícios meditativos, os principais efeitos terapêuticos são obtidos além da experiência dos sentidos, através de uma modalidade de autopercepção pouco experienciado na vigília. Trata-se de um contato com conteúdos internos, sem análise, sem objetivo precípuo, sem expectativa e sem participação sensorial.

TIPOS DE TÉCNICAS DE MEDITAÇÃO

Basicamente, podemos dividir as técnicas de meditação em passivas e ativas.
As passivas são aquelas classicamente conhecidas, nas quais o meditador assume uma determinada postura e permanece nela. Para um observador externo, as técnicas passivas parecem todas iguais, mas são dezenas de variações, com efeitos igualmente distintos. A técnica passiva é como uma flechada diretamente no alvo, mas para isso o braço já precisa estar firme, o arco deve manter-se completamente imóvel, a respiração do arqueiro precisa estar bem controlada, e tudo isso exige já um certo grau de preparo do qual nem todos dispõem.
O ocidental freqüentemente tem as mentes tão agitadas, que simplesmente não consegue ficar parado, buscando o silêncio interior; alguns têm até a sensação de que vão enlouquecer. Para isso, existem as técnicas ativas, que costumam, ou permitir um movimento repetitivo durante toda a meditação (por assim dizer, “distraindo” a energia mental em excesso, através do movimento), ou propiciar uma atividade catártica, como dançar ou gritar (“jogando para fora” toda aquela energia mental acumulada), seguida da postura sossegada e em silêncio.
Outra forma, com que poderíamos classificar, dividiria as técnicas em concentrativas, perceptivas, catártico-perceptivas ou mistas.

As concentrativas são aquelas que buscam a internalização; um exemplo seria a repetição de uma técnica respiratória ou a repetição de sons específicos (mantras).
As perceptivas buscam a harmonização com o ambiente (universal), como acontece em uma técnica que consiste em observar os sons das circunvizinhanças, sem julgamento.
As catárticas são técnicas ativas iniciadas por algumas atividades que permita o extravasamento da energia acumulada, freqüentemente seguida de um silêncio perceptivo.
Outras modalidades (as mistas) associam diferentes características em uma mesma técnica.

PARECER CIENTÍFICO

A meditação vem sendo estudada sistematicamente pela medicina ocidental desde os anos 60, quando o médico cardiologista americano Herbert Benson, fundador do Instituto Médico Mente/Corpo da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, começou a pesquisar a chamada “resposta do relaxamento”: uma série de alterações fisiológicas e psíquicas provocadas pela repetição contínua de uma palavra, um som, uma frase ou uma oração, e pelo descarte passivo de pensamentos intrusos. Este estado de relaxamento profundo muda as respostas físicas e emocionais do indivíduo diante de situações de estresse. Tais pesquisas estão baseadas em um esforço multidisciplinar, que incluiu:

Investigação no nível molecular e celular;

Estudos clínicos em cardiologia, neurologia, oncologia, cirurgia e ginecologia-obstetrícia;
Estudos das dimensões comportamentais, psicossociais e espirituais;
Investigações sociológicas de sistemas de saúde e educação, com avaliação de redução de custos.

Só nos últimos anos, a meditação foi objeto de mais de 500 estudos clínicos nos Estados Unidos, comprovando que:

Meditar controla significativamente a pressão arterial alta. Em níveis comparáveis a droga de amplo uso médico, e sem efeitos colaterais. Hypertension, AMA Medical Journal;
De acordo com Jon Kabat-Zinn, médico, Stress Reduction Clinic, University of Massachusetts, quem medita é capaz de reduzir a dor crônica em mais de 50%, enquanto aumenta a produtividade e melhora o humor;
Para o Dr. Gregg Jacobs, psicólogo, Harvard, entre as pessoas insones que receberam treinamento em relaxamento e meditação, 75%, conseguem adormecer em até 20 minuto depois de se deitarem.
As terapias de relaxamento podem reduzir consideravelmente problemas de dores nas costas, artrite e dor de cabeça. National Institut of Health, 1996;
Reduzir o estresse mental é mais benéfico ao tratamento das doenças do coração do que o exercício físico. Dr. James Blumenthal, Duke University, 1997;
Dois grupos foram comparados: um de pessoas que meditam regularmente e outro de pessoas que não meditam. O grupo de meditadores provou ser menos ansioso, temer menos a morte e ser mais espontâneo, independente e autoconfiante. Atlantic Monthly, maio de 1991;
Dentre 22 pessoas ansiosas, 20 apresentaram uma redução de 60 % em seus níveis de ansiedade após praticar meditação por dois meses, Universidade de Massachusetts;
Mulheres com sintomas agudos de tensão pré-menstrual demonstraram uma redução de 58% nos sintomas após cinco meses de meditação diária. Health, setembro de 1995;
A meditação pode diminuir o ritmo do envelhecimento. Um estudo revelou que pessoas que meditavam há mais de cinco anos eram biologicamente 10 a 15 anos mais jovens que não meditadores com a mesma idade cronológica. International Journal of Neuroscience, 1992.
Meditar combate à infertilidade associada a dificuldades psicológicas. Dr. Herbert Benson, Universidade de Harvard.

Quem já domina a técnica da meditação é capaz de praticá-la em qualquer momento, e em qualquer lugar. Mas para se chegar a esse estágio é preciso treinamento. O ideal é meditar duas vezes ao dia, sempre no mesmo horário e no mesmo local, ao acordar e ao cair da tarde, durante 20 a 30 minutos de cada vez. Sua vida não permite um ritmo desses? Não tem importância. Faça o que é possível para você. Que tal começar com 5 minutos diários, aumentar para 10 e, quem sabe, até 15? Este é um tempo muito bem investido, visto os benefícios da meditação.

Antes da prática

Não coma nada pesado, faça apenas uma refeição leve. Isso ajuda a manter a mente alerta. Evite meditar após uma refeição completa, pois você provavelmente sentirá sono.
Alongamento e yoga preparam o corpo e a mente para a meditação, sendo, portanto, boas opções para se fazer antes da prática. Evite tentar meditar após ter feito exercícios aeróbios. A prática pede recolhimento e o treino aeróbio estimula o corpo e a mente à ação.

Na hora da prática

Escolha um local tranqüilo, sem barulho, sem interferências.
Use roupas confortáveis, de forma a que nada incomode enquanto você pratica.
Acomode-se de forma confortável, com a coluna necessariamente ereta. Assim o fluxo de energia pelo corpo se dá sem barreiras e você se mantém alerta.
Tentar meditar deitado pode levá-lo ao relaxamento e você acaba adormecendo. Quem pratica yoga, medita na posição de lótus ou semilótus. Mas, para os iniciantes, pode-se usar uma cadeira, sentar no chão sobre almofadas ou até deitar-se, desde que sua posição esteja realmente confortável.

Respeite suas necessidades

Quando vamos meditar e o sono vem, fazemos o possível para não dormir. Passamos todo o período da meditação lutando contra este efeito. Concluindo, não dormimos e também não meditamos.
À medida que vamos treinando, conseguimos evitar tais eventos, mas para tanto, é necessário respeitar à nossa condição inicial sem esquecer de empenhar-se a tarefa de forma correta.

Encontre a sua

Há tantos cursos quantas técnicas de meditação. Todas as formas de meditação são válidas, e o importante é encontrar aquela que mais combina com você.
Meditação com vela ou qualquer outro símbolo;
Visualização – Essa técnica segue as orientações de uma voz;
Meditação na música – As músicas calmantes são as mais indicadas para este exercício, mas nada impede que você escolha outro gênero.
Meditação na dança – Desenvolvida por Osho ou Rajneesh, mestre indiano nos anos 60.
Meditação na caminhada – É possível apaziguar a mente enquanto você faz uma caminhada ou pratica corrida.
Meditação com mantras – Mantra, em sânscrito, é som.
Meditação no som primordial – Técnica descrita nos Vedas, escritura indiana de 5000 anos, foi resgatada pelo médico endocrinologista indiano Deepak Chopra, radicado nos Estados Unidos, uma das maiores autoridades em meditação.
Meditação integrada – Assim batizada por Márcia De Lucca, vale-se da repetição mental, silenciosa, do mantra UM.
O SOM DO SILÊNCIO

Mantras específicos que promovem certos objetivos:

 OM – Vindo da tradição hindu, limpa a mente, abre os canais energéticos e aumenta ojas, a seiva da vida, segundo os ensinamentos de ayurveda. É o som que nos permite aceitarmos como somos e nos abrirmos para as forças positivas do universo. Ajuda a despertar nossa energia vital para que o processo de cura ocorra dentro de nós e abre nosso potencial em direção à consciência maior.

 RAM – Dá força, acaba com o medo, acalma, traz paz. Muito indicado para curar insônia e para fazer você voltar a dormir depois de um pesadelo. Fortifica ojas e o sistema imunológico.

 HUM - Ajuda-nos a nos liberar de forças negativas, doenças, emoções prejudiciais. Aumenta agni, o fogo digestivo, responsável pela metabolização de toda a informação que captamos do universo por intermédio de nossos cinco sentidos (o que comemos, vemos, ouvimos, cheiramos e tocamos), e pelo processamento de nossas emoções e pensamentos. Elimina toxinas físicas e psicológicas, abrindo e desobstruindo os canais energéticos. Aumenta o poder da mente e da percepção.

 AIM – Aumenta a concentração, o raciocínio lógico e melhora a capacidade de expressão pela palavra. Aguça a inteligência e acelera o aprendizado. Alivia distúrbios mentais e nervosos.

 SHRIM – Promove saúde, beleza, criatividade e prosperidade. Torna a mente mais sensível.

 HRIM – Aumenta a produtividade e a eficiência. Auxilia em processos de desintoxicação.

 KRIM – Aumenta o poder de ação e impulsiona a capacidade de promover mudanças em nossas vidas. Excelente para ser vocalizado enquanto se cozinha.

 KLIM – Dá vitalidade sexual e controle da natureza emocional. Aumenta ojas, responsável pelo nosso sistema imunológico. Ativa as propensões artísticas e a imaginação.

 SHANTI – Mantra de paz, pode ser usado para promover calam, desapego e contentamento. É excelente para desordens do sistema nervoso. Ajuda a controlar estresse, ansiedade, tremores e palpitações.

 SHUM – Aumenta a vitalidade, a energia, a fertilidade e o vigor sexual. Estimula a criatividade e o senso artístico.

 SOM – Aumenta a energia, a vitalidade, a alegria e a criatividade. Aumenta também ojas, fortalece a mente, o coração e os nervos. É excelente para promover o rejuvenescimento.

 GAM – Promove a inteligência, as habilidades matemáticas e científicas, a estabilidade mental, a paciência e a perseverança.

 HOM – Estimula a força de vontade, a sabedoria e o desejo de transformação.

Não se medita nas seguintes condições:
Miserabilidade;
Cardiopata grave;
Embriagados ou sob dependência de drogas ilícitas;
Psicoses;
Sob efeito de psicotrópicos (sedativos, antidepressivos, etc.);
Jejum superior a seis horas e após refeição farta;
Sintomas psicóticos.

EFEITOS POSSÍVEIS DA MEDITAÇÃO

1. Efeitos na Fisiologia:

O meditador, após algum tempo, atinge um patamar que alguns chamam de “estado hipometabólico, fisiológico e consciente”, no qual se apresentam várias reações corporais semelhantes ao estado de sono, porém sem que haja perda da consciência.
Há uma nítida alteração do funcionamento cerebral, com mudanças nas ondas encontradas no eletroencefalograma. Os iniciantes apresentam um padrão predominante de onda alfa (estado de grande relaxamento). Os mais adiantados já mostram padrões mais complexos.
Além do mais, a partir de um certo ponto, os estímulos externos (sonoros ou luminosos), embora percebidos, não conseguem mais alterar o padrão das ondas cerebrais.
Parece diminuir a resistência vascular cerebral, com aumento do fluxo sangüíneo para o cérebro.
As zonas de atividade cerebral predominante se alteram. Reduz-se a atividade nas áreas relacionadas à execução de tarefas e atenção e eleva-se a atividade nas áreas ligadas à criação.
A freqüência cardíaca e respiratória diminui. A pressão arterial freqüentemente se reduz.
Com meses de prática, regular a resposta imunológica é aparentemente incrementada.
Muitas das substâncias circulantes se alteram. Diminuem os níveis de noradrenalina, cortisol e aldosterona, sabidamente relacionadas com estados de stress. As endorfinas, também chamadas de opióides endógenos, aumentam no sistema nervoso. Elevam-se as dosagens de dehidroepiandrosterona e serotonina, substâncias reconhecidamente benéficas. Em resumo, poderíamos dizer que, com a continuidade da prática, a composição sangüínea do meditador é de certa forma “oposta” aquela encontrada nos indivíduos com quadros de stress crônico.
Também estaria reduzida a atividade dos chamados “radicais livres”, compostos sabidamente nocivos para o organismo.

2. Efeitos psíquicos:

Sem dúvida, o efeito mais claro estaria na redução do comportamento neurótico, e essa redução das neuroses tem uma relação direta com a regularidade e o tempo de prática. A ansiedade, irritabilidade e tensão também são abrandadas.
As vivências positivas aumentam, com maior espontaneidade, bem-estar, autocontrole e felicidade.

3. Possíveis usos terapêuticos:

São muitas, as possibilidades já pesquisadas para uso da meditação como apoio terapêutico (terapêutica coadjuvante). Além dos distúrbios de ansiedade, alguns outros exemplos seriam a hipertensão arterial, abuso de drogas, insônia, dor crônica, dentre outras.

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